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Prof. Georges Humbert - Semana do meio ambiente: viva o Brasil

Publicação Semana do meio ambiente: viva o Brasil

Semana do meio ambiente: viva o BrasilData de Publicação: 05/06/2020

Essa primeira semana de junho é consagrada como a semana mundial do meio ambiente. No Brasil há sim o que se comemorar, pois e? um dos pai?ses que mais preserva no mundo! Chega de si?ndrome de vira-latas e de sucumbir a? fala?cia de ONGs e mi?dia financiadas por capital de poluidores estrangeiros, que temem o nosso desenvolvimento sustenta?vel e us o discurso ambientalmente correto apenas como suceda?neo para nos manter e a nosso povo na

A Constituição do Brasil, com mais de 30 anos, é pioneira e repleta de um qualificado manancial de boas regras e princípios na matéria. A política do meio ambiente, com 40 anos, é repleta de instrumentos e mecanismo de tutela. Nosso código florestal, lei da mata atlântica, lei de sistema de unidades de conservação, lei de crimes ambientais e atos de demarcação de terra indígena e tombamentos, são exemplos da excessiva e constante preocupação e preservação ambiental no país. Somos exemplo para o mundo, não o contrário.

Mas há gargalos. A questão mais prejudicial ao direito ambiental brasileiro, além, claro, da necessidade de investimento em inovação, tecnologia, recursos humanos, saneamento básico, educação ambiental e gestão de resíduos, é, em rigor, a da insegurança jurídica gerada pela usurpação de competência dos Poderes Executivo e Judiciário ? esta chamada também de ativismo judicial.

Com efeito, a despeito das centenas de normas constitucionais e infraconstitucionais em torno da tutela e disciplina jurídica do meio ambiente, esses Poderes tem, exaustivamente, inovado a ordem jurídica, via seus atos típicos e atípicos, quando não indo de encontro ao texto da Constituição e das leis, com grave ofensa aos princípios republicanos e democráticos, à repartição dos poderes e aos direitos fundamentais a propriedade, vida e segurança, garantidos, entre outros, pela legalidade e devido processo legal.

Não é incomum, por exemplo, o Executivo legislar, com resoluções, portarias, instruções normativas, ou exorbitar o poder regulamentar para fiel execução da lei, com decretos, pasmem, na maioria das vezes via órgãos sequer dotados de competência normativa, pois que essa é privativa do Chefe do Executivo, na forna do art. 84, 5 e 37 da Constituição.
Outrossim, recorrente o judiciário criar regras e obrigações contrárias ou que não estão na Constituição e nas leis, via a proliferação de supostos princípios, sem qualquer base dogmática, metodológica ou muito menos normativa, as quais, além de violar os citados preceitos, mais prejudicam do que beneficiam o meio ambiente ecologicamente equilibrado enquanto inerente ao direito fundamental individual. Exemplos são a vedação ao retrocesso, a prevalência da norma mais restritiva e a imprescritibilidade do dever-poder do Ministério Público de promover a ação civil de reparação.

Tudo isso, a nosso ver, passa por uma questão cultural afeta ao uso e abuso de poder, de descrédito e mora do legislativo, legítimo e juridicamente titular dessas atribuições, assim como pelo não (re) conhecimento do caráter científico e racional do direito, com confusão entre ambientalismo, (in justiça ambiental e direito ambiental, associados à má compreensão do princípio jurídico da sustentabilidade, que, juntamente com o da proteção-preservação, formam os dois e específicos pilares valorativos positivados expressa (ou, para uns, implicitamente), no sistema jurídico ambiental inaugurado em 1988, a partir do artigo 225 da Constituição aprovada e promulgada há trinta anos.

Assim sendo, de rigor concluir que o problema do direito ambiental brasileiro não é da Constituição ou das leis, mas de quem descreve, interpreta e as aplica, notadamente usurpando competência, promovendo insegurança jurídica, desconhecendo e malversando o tripé da sustentabilidade, com violação a princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, a direitos individuais e consequentes prejuízos ao interesse público de manutenção do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações, enquanto essencial à sadia qualidade de vida.


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